TRADIÇÕES DOS ARRAIAIS MADEIRENSES. O QUE MUDOU?

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Ao longo de décadas, as festas e romarias constituíam as principais distracções do povo, que aproveitava os divertimentos para esquecer a dureza da sua vida. Através do canto, da dança e da música libertavam o seu espírito do quotidiano e passavam horas de deleite, até mesmo inesquecíveis. Ainda hoje em dia, os arraiais madeirenses são uma componente tradicional muito característica das festas religiosas, que se vivem abundantemente por esta época, em todas as localidades.
Devido à evolução normal da sociedade, ou não, o ambiente exterior à igreja tem vindo a sofrer algumas alterações relacionado por vezes com exigências legais, outras devido aos hábitos e costumes que se foram alterando e ainda, por vezes ao mau gosto dos organizadores ou festeiros.
As bonitas ornamentações do adro da igreja e vias públicas com bandeiras, arcos de verdura, flores, que eram de papel e mais recentemente de plástico, e os cordões de iluminação são uma constante e felizmente continuam. As barracas tradicionais de comes e bebes, cobertas com ramos de louro, para a típica espetada; o pão caseiro ou bolo do caco, acompanhado pelo vinho caseiro e a cerveja com laranjada, essas foram, em parte, substituídas por carros de venda de hambúrgueres, cachorros quentes e as bebidas pela poncha, “shotes” e bebidas brancas. Os vendedores de doçaria (bolos, rebuçados avulso ou dispostos em colares coloridos e outras guloseimas) e as tradicionais bonecas de massa (que os festeiros e romeiros faziam questão de adquirir) deram lugar aos vendedores ambulantes, maioritariamente imigrantes, que vendem de tudo, menos o que é tradicional da Madeira. Os vendedores de alfaias, produtos agrícolas e outros artefactos praticamente desapareceram. As bandas filarmónicas são ainda um elemento presente, embora os bem conhecidos coretos, tenham sido substituídos por simples palcos. Os grupos de folclore muito raramente são chamados. Felizmente o povo ainda mantém a essência do folclore com os típicos brinquinhos de despique, principalmente nos arraiais de Ponta Delgada, Srª do Monte, Loreto, Srª da Piedade e outros.
Olhando para a actualidade, podemos concluir que os arraiais madeirenses, não são bem o que eram noutros tempos, mas continuam a ter os mesmos propósitos: alegrar e esquecer, quem sabe, as tristezas do quotidiano.

Artigo de opinião de António Vale, Presidente da AFERAM, publicado no Diário de Notícias a 4 de Julho de 2011

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