FESTAS DO ESPÍRITO SANTO – Solidariedade e Partilha

by


As festividades do Divino Espírito Santo, contam-se entre as mais antigas e peculiares, um espaço em que o sentido espiritual do sagrado se encontra com a materialidade das vivências profanas. Segundo investigadores, a introdução do culto ao Divino Espírito Santo na Madeira confunde-se com a chegada dos primeiros povoadores. Entre os mais antigos templos existentes na Ilha, dedicados ao Espírito Santo, constam a Igreja Matriz da Calheta, a Capela com a mesma invocação em Câmara de Lobos, erigida por Zarco e a Capela do Santo Espírito na Lombada da Ponta do Sol.

Promovido pela Rainha Santa, com o beneplácito do rei, este culto rapidamente se difundiu e ganhou adesão popular.

O auge do culto à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade no País coincide com o período mais intenso dos descobrimentos.
O sentido de oferenda e partilha, de comunhão, constituía precisamente a base ideológica das celebrações e festividades populares portuguesas dedicadas ao Divino.

Foi transposto para os “bodos”, açorianos e para a “copa” madeirense. O pão, com toda a sua carga simbólica, está presente em todas estas manifestações. As visitas do Espírito Santo decorrem em quase todas as paróquias da Diocese a partir do 1º Domingo depois da Páscoa. No entanto, ao longo dos tempos, os rituais e objectivos sofreram alterações muito significativas.

Na Ponta do Sol, por exemplo, as Festividades continuam a ser vividas com muita intensidade, sempre preparadas com esmero e dedicação, desde os festeiros, à escolha das saloias, preparação da roupa e adereços, e, ensaios com a tocata que as vai acompanhar. Os gestos seculares repetem-se cumprindo rituais ancestrais: a casa é benzida pelo festeiro que leva a caldeirinha da água benta, os donos beijam as Insígnias em sinal de respeito e devoção, as saloias cantam saudações à família. Este é um daqueles momentos em que as emoções se soltam: não raramente vêem-se lágrimas nos olhos das pessoas da casa: de alegria pela visita, de saudade pelos ausentes, de lembranças dos que já não são deste mundo.

Hoje, assim como outrora, a solidariedade, entreajuda, a partilha e a amizade, são valores fundamentais da sobrevivência humana.

António Vale
Presidente da AFERAM

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: