CORTEJO DA FESTA DA FLOR sem grupos de folclore

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Passadas quase três décadas, o CORTEJO DA FESTA DA FLOR continua a ser um dos altares de glória em que belíssimas flores emanam uma mensagem de ESPERANÇA e transmitem muitas sensações e emoções a todos os que nos visitam.
Já em 1984 os jornais escreviam sobre o cortejo da flor “…A alma do madeirense enamorado das suas belíssimas flores, vibrou nas ruas da cidade… Juventude alegre e desinibida, jorrando graça em cada gesto….do Funchal a Santana, da Ponta do Sol a Machico, o nosso rico folclore, presta-se a este desfile único….”
Também eu, ainda me lembro das origens da Festa da flor!
Nas zonas rurais durante toda a semana que antecedia o dia do cortejo, andavam os jovens elementos dos grupos de folclore, de casa em casa a pedir emprestado flores e cestos de vimes, com diversos tamanhos e formatos, enfusas, pucras e outros objectos, que serviriam de base para os bonitos arranjos de flores que transportariam no cortejo da flor. Era também grande a azáfama na preparação dos carros alegóricos, menos imponentes do que hoje é certo, mas com a humildade e genuinidade que marca o povo Madeirense.
Foram os grupos de folclore, conjuntamente com algumas trupes que ainda hoje participam nos eventos da Secretaria Regional do Turismo que contribuíram para que esta louvável iniciativa de João Carlos Abreu, fosse o que é hoje. “Jamais alguém idealizou uma festa tão bonita, com arte e alma do povo” (1984).
Infelizmente nos últimos anos, os grupos de folclore foram excluídos totalmente deste evento. Participam ocasionalmente na animação existente nas ruas principais da nossa cidade e, algumas crianças com traje regional, na construção do muro da esperança.
É curioso que por mais persistência que haja, qualquer projecto que dê entrada na direcção de animação para cortejo, relacionado com o folclore, é considerado fora de contexto, que não vai ao encontro dos objectivos, à essência desta festa e que não existe dinheiro.
Por vezes dou por mim a reflectir: será que ainda hoje, temos vergonha da nossa identidade e das nossas origens?! De mostrar a riqueza e beleza dos nossos trajes, da nossa música popular e nossas danças?!
Falando com os turistas nacionais e internacionais que nos visitam e aquando de deslocações para fora da Ilha; vendo as expressões, os sorrisos e a forma simpática e carinhosa como nos agradecem, não é essa a conclusão.

António Vale – Presidente da AFERAM
Artigo de opinião do Diário de Notícias da Madeira (4 de Maio de 2011)

Uma resposta to “CORTEJO DA FESTA DA FLOR sem grupos de folclore”

  1. Manuel Ornelas Says:

    Mudam-s o os tempos e mudam-se os interesses, agora as flores não se pedem, compram-se, importam-se…

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