As tradições da Festa

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A Festa, designação dada à quadra natalícia, era a época mais desejada na minha infância. O mês de Dezembro era de grande azáfama com os preparativos culinários: bolo de mel, broas, pão, bolos doces, cuscus e licores.

Também o dia da matança do porco era especial para familiares e amigos, onde não faltavam bons petiscos, desde o sarapatel à carne assada, acompanhados de pão caseiro e vinho. Depois de “picado” o porco procedia-se à sua divisão, nunca esquecendo os que tinham ajudado na matança e também o senhor Vigário. Fazia-se a “carne de vinha-d’alhos” e a restante era guardada no salgueiro.

O “armar” do presépio ou lapinha de escadinhas era sempre um momento de grande alegria, em que toda a família participava.
A liturgia era vivida com grande intensidade desde as Missas do Parto, a partir do dia 16, à Noite de Natal, onde o ponto alto era a Missa do Galo, com a anunciação do Anjo e as lindas romagens. Ao chegar a casa, era a hora dos presentes, tão ansiosamente esperada pelas crianças, ao longo de todo o ano.

Hoje, as tradições continuam a ter para o madeirense um encanto especial embora o simbolismo, o entusiasmo e o carácter autêntico e religioso do Natal não seja o mesmo de outrora, reflectindo os valores e o consumismo dos nossos dias.

Contudo a última década despertou no povo madeirense a necessidade de recuperar vivências antigas. Verifica-se hoje uma maior afluência nas missas do parto, com a ida de grupos da cidade para o campo e a realização de um maior número de presépios. É de salientar o contributo das associações culturais, casas do povo e grupos de folclore, na preservação e recriação destes costumes.

Que o Espírito do Natal permaneça sempre vivo dentro de nós, comemorando a Festa em família e recordando as antigas tradições!

Artigo de opinião de António do Vale (Presidente da AFERAM)
Publicado no Diário de Notícias da Madeira – 4 de Dezembro de 2010

Uma resposta to “As tradições da Festa”

  1. João Escórcio Says:

    EXMOS. SRES.

    Hoje com 61 anos muito mais lembro desses tempos. Quem pode esquecer o “brindeiro” para os netos e a “rosquilha” de rolão (pão dos pobres), tudo pelo Natal no forno de lenha, onde todas as famílias do sítio se revezavam nas suas “amassaduras”, “rosquilhinhas” e bolos em particular o bolo preto de melaço e para dar um gostinho um pouco de Madeira ou TM-TAM-TUM.
    As Missas do Parto são das lembranças mais vivas, que ainda hoje continuam a ressoar no ouvido os cânticos a Maria e na minha retina ainda vejo os bandos de gente que desciam as encostas do Vale de Machico a caminho da Igreja alumiados por “guizetas” e a cantar….
    E muito mais que os tempos vão levando…

    João Escórcio

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