FOLCLORE Identidade de um Povo

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Falar ou escrever sobre folclore deverá ter de quem o faz uma atitude de grande respeito, consideração pelo extraordinário contributo dos Grupos de Folclore e seus dirigentes para a preservação e dignificação das nossas Tradições / Cultura Popular.

Hoje, as palavras Folclore e Folclórico andam na boca de toda a gente, empregam-se correntemente, muitas vezes sem saber o que significam, por vezes com sentido depreciativo e até caricatural.

O termo Folclore, surgido em 1846, com John Thomas, “tem culturalmente, o mesmo significado do que demopsicologia, isto é, estudo da psicologia de um povo”. O motivo de orgulho e os fundamentos da cidadania residem nos feitos dos seus antepassados ou seja, no seu folclore. Assim o estudo dos usos e costumes, das tradições espirituais e sociais, das expressões orais e artísticas que permanecem num povo são precisamente a herança cultural tradicional de um povo evoluído.

É de realçar que o nosso Folclore assenta na glorificação do esforço de um povo que, no decurso da história da Madeira e Porto Santo, usou a sua inteligência e criatividade edificando a Região da qual nos orgulhamos de pertencer.

Na memória trazemos um passado regado com suor e lágrimas, trovas e cantigas; passagem por períodos áureos como o da cana sacarina, vinho, banana, trigo e uma gastronomia com sabores próprios.

O isolamento durante anos foi um incentivo à imaginação dos nossos avós. Cultivaram o linho com que teciam panos, usados em camisas, blusas, lençóis e tolhas. As ervas e plantas tintureiras foram usadas para tingir lãs e linho, que davam tonalidades muito coloridas e graciosidade às vestes, sobretudo das raparigas.

Quando abordamos a temática do Folclore não podemos deixar de salientar os trabalhos de recolha desenvolvidos e publicados pelo Visconde do Porto da Cruz, Carlos Santos, Artur Andrade e António Aragão que permitiram um perpetuar da tradição.

Estes foram contributos preciosos para o surgimento de diversos grupos que até 1980 eram sete e que actualmente contam já com 1800 elementos distribuídos por 41 grupos.

A década de 90 é marcada por uma viragem na mentalidade própria de cada grupo, valorizando a pesquisa junto dos mais idosos e baseando os seus trajes nessas recolhas. Esta evolução foi fortemente influenciada pelo trabalho desenvolvido pelo Inatel, na pessoa do professor Tomás Ribas, pelos Serviços de Desenvolvimento Rural através da Drª Teresinha Santos, que durante anos trabalhou directamente com os Grupos e ainda, a Federação do Folclore Português na pessoa do seu Presidente Augusto Santos, que teve uma acção muito eficaz.

Neste contexto surge, em finais de 2005, a Associação de Folclore e Etnografia da Região Autónoma da Madeira (AFERAM), com a missão de sensibilização e consciencialização da comunidade para a relevância do Folclore e Etnografia; a defesa do património cultural e o fomento da Qualidade no Folclore Regional. Baseia-se em três pilares essenciais: Formação, Educação, Investigação e na criação de uma base de dados para Inventariação, Registo, Arquivo e Divulgação.

Todos juntos na procura das nossas raízes e dos valores da nossa tradição, continuemos a dignificar aquilo que nos distingue e diferencia dos outros povos, O FOLCLORE.

Artigo de António do Vale (presidente da Direcção da Aferam)
Publicado no Diário de Notícias da Madeira em 4/11/2010

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