FOLCLORE E FOLCLÓRICO

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Hoje, as palavras Folclore e Folclórico andam na boca de toda a gente e empregam-se correntemente nos mais diversos contextos, com os mais diversos objectivos. Normalmente são utilizadas de forma depreciativa e até caricatural pelos órgãos de comunicação social, homens do futebol, da política e cidadãos em geral. Vejamos alguns exemplos tirados do nosso quotidiano: “um campeonato de futebol em Portugal tem de ter folclore do início ao fim”; “…a discursar para o folclore televisivo, imperdível.”; “Farmácias acusam Ordem dos Médicos de folclore”; “… do folclore que rodeia o processo judicial”; “…este tipo de manifestações são puramente folclóricas”; “Acabou-se o folclore”; “este não é um momento para brincadeiras, fantasias e folclore…”; “o folclore político e a maledicência em que temos vivido são desnecessários.”

Segundo John Thoms (1946) a palavra folk e lore (povo e saber) foram unidos, passando a ter o significado de saber tradicional de um povo. O estudo, preservação e divulgação dos nossos usos, costumes, tradições, sistemas de crenças, expressões orais e artísticas que permanecem intemporais, são precisamente a herança cultural de um povo evoluído e como tal deve ser respeitado.

Estamos a entrar num Ano Novo, pelo que faço um APELO, para que o que se falar ou escrever sobre FOLCLORE tenha uma atitude de mais respeito e consideração por esta palavra/ conceito que representa em última instância, a nossa ALMA identitária enquanto Povo/ Nação!

António Vale

(Presidente da AFERAM)

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