Felizmente ainda existem grandes causas que unem os Portugueses.
Foi assim na Expo98, no Euro 2004 e agora com a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, aprovado por unanimidade no VI Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), realizado em Bali (Indonésia). Este reconhecimento constitui, sem sombra de dúvida, um motivo de orgulho para todos os Portugueses mas, em particular para todos os que de forma persistente e incansável, defendem a preservação das expressões culturais e das tradições, em respeito da sua ancestralidade, com vista as gerações futuras.
E será que o trabalho desenvolvido pelos grupos de folclore, agentes de preservação das tradições populares de nosso povo, está dentro dos domínios da convenção para a salvaguarda do Património Cultural Oral e Imaterial da Humanidade, aprovado em Outubro de 2003 e ratificada em Portugal em Março de 2008? Claro que sim, porque são exemplos de Património Imaterial: os saberes, os modos de fazer, as formas de expressão, celebrações, as festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e outras tradições que as comunidades, os grupos e indivíduos reconhecem, como fazendo parte integrante do seu património cultural.
Para isso, é necessário que se prepare um plano de acção devidamente estruturado, baseado nas medidas propostas para a salvaguarda da cultura Tradicional e do Folclore, visando a salvaguarda, protecção e revitalização das expressões ou áreas culturais. As riquezas naturais e culturais das quais nos sentimos legitimamente orgulhosos, são tesouros que merecem ser partilhados por toda a humanidade.
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Artigo de opinião de António Vale, Presidente da AFERAM, publicado no Diário de Notícias a 4 de Dezembro de 2011